Nem toda perda significa que você fez a escolha errada
Sabe, existe algo muito louco que acontece quando a gente começa a se priorizar.
É estranho pensar que você pode “perder” o amor da sua vida simplesmente porque decidiu preservar a própria individualidade e crescer dentro dela.
Eu não queria deixar de viver com alguém, queria apenas aprender a viver comigo mesma também.
Queria ter meus momentos de solitude, estar com meus amigos, conhecer outros lugares e sentir a liberdade de viver a minha vida ao lado de alguém, sem que a felicidade de um interferisse ou anulasse a do outro.
É até meio louco como as coisas mudam tão rápido, né? Em um momento, você acredita que está construindo uma vida ao lado de alguém e, pouco tempo depois, está tentando entender como tudo chegou até ali.

Acho que uma parte de mim ainda está presa nas palavras. Em tudo que foi dito olhando nos meus olhos, nas promessas que pareciam tão verdadeiras e na dificuldade de conciliar aquilo que ouvi com o que aconteceu depois.
Não vou entrar naquele discurso de “então era tudo mentira”, porque não acredito que tenha sido. Prefiro acreditar que as palavras foram sinceras no momento em que foram ditas, mesmo que, depois, as atitudes tenham seguido por outro caminho.
Talvez algumas pessoas realmente sintam tudo aquilo que dizem, mas não consigam sustentar esses sentimentos quando a realidade exige escolhas, mudanças e maturidade. E aceitar isso dói, porque nem sempre o amor termina quando a relação termina.
Tem sido uma semana difícil. Eu já vinha carregando um cansaço muito profundo e, de repente, alguém que eu imaginava que estaria para sempre comigo simplesmente não estava mais.
Ao mesmo tempo, comecei a perceber que talvez não seja normal viver da forma como tenho vivido há tanto tempo. Talvez exista uma explicação para algumas coisas que sinto, para os extremos, para o peso que carrego e para a maneira como minha mente funciona. A possibilidade de receber um diagnóstico relacionado à minha saúde mental assusta, mas também pode ser o começo de uma compreensão que nunca tive sobre mim mesma.

De repente, tudo ficou escuro. Sem luz, sem cor e sem ânimo. Só que, justamente quando eu sinto que estou desabando, aparecem os meus anjinhos. Uma conversa sincera com a minha médica, um café da manhã preparado pela minha mãe com todas as coisinhas da minha dieta, um vídeo legal que eu mesma editei e que me fez lembrar do quanto amo criar.
São pequenas coisas, quase silenciosas, que vão trazendo um pouco de cor de volta e me lembrando de que a melhor decisão será sempre escolher a mim mesma.
Dessa vez, eu realmente não abri mão de mim.
Dessa vez, ninguém precisa me convencer de uma verdade que não reconheço ou me fazer duvidar de quem eu sou. Eu sei da minha verdade, e tudo bem se ela não for igual à verdade de outra pessoa. Talvez cada um precise contar a história da forma que consegue suportar. Só que agora eu sei quem eu sou, ou pelo menos estou começando a descobrir. Sei que quero conhecer o mundo, viver novas experiências, realizar minhas coisas e ser feliz sem que a minha felicidade pareça uma ameaça para quem caminha ao meu lado.
Embora, neste momento, tudo ainda pareça um velório, eu sei que quero viver. Quero construir os meus projetos, crescer profissionalmente, estar com meus amigos, viajar, criar, errar, aprender e descobrir quem sou cada dia mais.
E eu fico muito irritada escrevendo isso porque, caramba, eu queria viver tudo isso ao lado de quem eu amava. Eu queria crescer junto, não precisar escolher entre viver e permanecer.
Mas tudo bem. É a minha primeira vez passando por isso também.

Mesmo tentando ocupar a cabeça durante o dia inteiro, algumas lembranças aparecem repetidamente. Não da pessoa que existe agora, seguindo a própria vida e encontrando a maneira dela de lidar com tudo isso, mas daquela que eu conheci e amei.
Da versão presente nos pequenos detalhes, nos gestos bobos e nas memórias que talvez não façam sentido para mais ninguém. Aquela que jogava moedinha no chão e que, por muito tempo, fez parte da ideia que eu tinha de futuro.
Talvez seja isso que mais doa: não sentir falta apenas de alguém, mas sentir falta da vida que imaginei que viveríamos. De tudo aquilo que, na minha cabeça, ainda teria tempo para acontecer.
Enfim, eu ainda não sei o que fazer com tudo o que sinto. Às vezes parece que vai ser para sempre, e talvez uma parte realmente fique. Mas espero que, com o tempo, deixe de ocupar tanto espaço. Que a lembrança continue existindo sem apagar as cores das outras coisas.
Que eu consiga olhar para trás sem esquecer do que foi bonito, mas também sem esquecer de tudo que precisei enfrentar para não abandonar a mim mesma.
Porque, desta vez, mesmo doendo, eu me escolhi.
E acho que essa foi a decisão mais difícil e mais importante que já tomei.