O que a psicologia me ensinou sobre o Papai Noel e as palavras vazias

Palavras podem ser tão bonitas, né? Podem causar um impacto tão grande. É igual aquela teoria do efeito borboleta: “o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um tornado no Texas”. Não sei se isso realmente acontece, mas gosto de pensar nessa ideia de que uma coisa tão pequena pode mudar completamente o rumo de outra. Acho que as palavras são exatamente assim. Uma simples frase dita pode transformar todo o seu futuro.

Sabe, eu sempre fui muito apegada às palavras. Sempre tive a ingenuidade de uma criança que acredita fielmente que, na volta, a mãe realmente vai comprar aquela boneca de cinco mil reais. Kkkkk. Só que, da mesma forma que a gente cresce e entende que talvez nunca mais volte naquela loja para comprar a tal boneca, a vida também ensina que palavras podem simplesmente ser só palavras.

Quando elas não vêm acompanhadas de uma atitude, elas continuam sendo apenas isso: palavras.

Ultimamente tenho pensado muito sobre tudo o que ouvi e tudo o que falei. Sobre o quanto uma coisa só se torna real quando ela aparece nas atitudes. Posso passar horas dizendo que existem elefantes amarelos gigantes na minha sala. Posso descrever cada detalhe deles. Mas, se eu não conseguir te mostrar, provar ou fazer você enxergar isso, eles simplesmente não existem. São só palavras.

Minha psicóloga falou uma coisa que, sinceramente, mudou completamente minhas escolhas este ano. Pode parecer uma comparação boba, até engraçada, mas ela disse:

“Bruna, quando a gente entende que o Papai Noel não existe, nunca mais consegue acreditar de novo que ele existe.”

E é verdade.

Não importa quantos presentes apareçam embaixo da árvore no Natal. Você sabe que alguém trabalhou, juntou dinheiro, escolheu aquele presente e colocou ele ali. Você nunca mais consegue acreditar que foi o Papai Noel.

Quando ela falou isso, eu percebi que essa lógica serve para praticamente tudo na vida.

Depois que você conhece alguém de verdade, não consegue mais desconhecer. Depois que você enxerga um padrão, não consegue mais fingir que não viu. Depois que entende uma situação, não consegue voltar para a versão de você que ainda não sabia daquilo. A gente não consegue desver as coisas.

E acho que é exatamente por isso que crescer às vezes dói tanto.

Porque a gente passa boa parte da vida querendo voltar para versões antigas de nós mesmos, quando, na verdade, isso nunca vai acontecer. A Bruna de hoje não é a mesma Bruna de cinco anos atrás. Daqui cinco anos, provavelmente também não vou ser essa Bruna que está escrevendo esse texto agora.

As coisas simplesmente são o que são.

Às vezes isso é perturbador. Às vezes é libertador.

Porque, quando você entende que palavras sem atitudes são apenas palavras, você para de insistir em histórias que já acabaram. Para de acreditar em promessas que nunca saíram do papel. Para de esperar que alguém seja uma pessoa que, pelas atitudes, ela nunca foi.

E o mais curioso é que, depois que a gente entende isso, não tem como desentender.

Talvez seja esse o lado bom de crescer.

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